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Beltrame desabafa: 'Polícia vai virar babá de menor e de moradores de rua'



Rio - Se o cobertor da Polícia Militar é curto, o desabafo do secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, deixou isso mais evidente. Durante a 11ª premiação do Sitema de Metas da polícia, no Teatro João Caetano, na manhã desta terça-feira, Beltrame foi enfático ao comentar os últimos casos de violência No Rio de Janeiro envolvendo menores e moradores de rua. Segundo ele, mais do que uma questão policial, as ocorrências que envolvem tais grupos são, também, de âmbito social e legal.
"Existe uma série de outras instituições que também têm que atuar. Por que aquelas pessoas estão ali? Isso também tem que ser perguntado e é preciso saber quem é o responsável por isso. Por que se não, como eu ja disse uma vez, a polícia vai virar babá de menores de idade e babá de moradores de rua, fazendo um verdadeiro "tour" com essas pessoas pela cidade, saindo dos seus pontos de policiamento para poder levar na instituição A ou instituição B, desabrigando o policiamento que em certas áreas já não tem", afirmou o secretário.


A premiação do governo do Estado homenageou mais de 6 mil policiais militares e civis, pelo cumprimento de metas de redução da criminalidade. Cinco dias antes, uma verdadeira onda de roubos cometidas por pessoas armadas com facas — algumas delas que vivem nas ruas, segundo a polícia —, assolou a Zona Sul. Em apenas uma manhã, três pessoas foram roubadas da mesma maneira na região entre o Flamengo e Botafogo, além de 12 suspeitos apreendidos.
Cerca de RS 60 milhões em bônus foram pagos a mais de 6.400 policiais de batalhões, UPPs e delegacias do estado, por cumprirem as metas. A cerimônia aconteceu no Teatro João Caetano, no Centro do Rio. Em primeiro lugar no ranking das premiações ficaram os policiais lotados em unidades de Botafogo e Flamengo, na Zona Sul da cidade; Itaperuna, no Noroeste; Resende, Sul Fluminense; e Paraíba do Sul, na região Centro-Sul. Cada um dos policiais recebeu R$ 13,5 mil pelo aumento da produtividade no segundo semestre de 2014.
Tiroteio sem trégua nas comunidades
A audácia de traficantes em áreas ocupadas pela polícia voltou a assustar moradores ontem em pelo menos três comunidades. Pela manhã, um policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi baleado na perna na localidade ‘100 Metrinhos’, no Complexo de São Carlos, no Estácio. No fim da tarde, confrontos entre PMs e bandidos nos morros do Adeus, no Alemão, e na Mangueira, deixaram suspeito ferido.
Os tiros foram ouvidos nos morros do Fallet e Fogueteiro, no Catumbi. As comunidades do Catumbi, Estácio e Rio Comprido passam por momentos violentos desde o último sábado, com uma guerra entre facções criminosas. Seis pessoas, sendo dois inocentes, morreram até ontem, e outras cinco ficaram feridas. 
Em nota, a PM informou que “o policiamento segue reforçado por tempo indeterminado pelo Comando de Operações Especiais.” À tarde, houve confronto nos morros do Adeus e Baiana, no Complexo do Alemão — onde uma pessoa foi ferida — e na Mangueira.
Tensão fecha creche e curso na Mineira
No Morro da Mineira, o único movimento nas ruas ontem era o de policiais entrando no local em dois blindados. Ao meio-dia, a diretora da Creche Municipal Brincadeiras de Criança pediu, através do sistema de alto-falante da favela, que os pais fossem buscar os filhos mais cedo.
A creche atende a mais de 200 crianças. A Associação de Moradores, que atende 40 jovens com aulas de esporte e informática, também ficou fechada.