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Reforma do Museu do Ipiranga pode não ficar pronta nem em 2022






















Museu do Ipiranga: administrado pela USP, está fechado para reformas que nem começaram





SÃO PAULO. Símbolo da memória da Independência do Brasil, o Museu do Ipiranga vive um período de incertezas. Mesmo com as portas fechadas há quase dois anos, a instituição ainda não conseguiu iniciar a reforma do prédio histórico na Zona Sul de São Paulo. Nem os orçamentos para bancar o projeto ficaram prontos. Diante do cenário, há dúvida se a reabertura para o público poderá ocorrer até 2022, ano do bicentenário da Independência.
No momento, os gestores cuidam das providências para transferência do acervo para imóveis que estão sendo alugados no mesmo bairro com objetivo de liberar espaço no local para os trabalhos. Paralelamente, a Universidade de São Paulo (USP), administradora do museu, caça patrocinadores para bancar a reforma.
O Ipiranga fechou às portas às pressas em agosto de 2013, quando foram detectados que os forros do prédio inaugurado em 1893 apresentavam descolamento da estrutura de madeira de sustentação, com risco para visitantes e funcionários. 

Na época do fechamento, o museu era um dos mais visitados do Brasil e recebia entre 2,5 mil e 3 mil pessoas diariamente.

A ideia, além de reformar o edifício histórico, é construir um prédio anexo para abrigar as reservas técnicas, áreas administrativas e laboratórios de conservação.O orçamento da obra ainda depende da elaboração de projetos executivos. Com esse quadro de indefinição, a direção evita se comprometer com um prazo para a conclusão dos trabalhos.

- A intenção dos atuais gestores é que a reabertura do museu ocorra em 2022. Os esforços são nessa direção, porém o que irá prevalecer é o cronograma que leve em consideração as melhores práticas para essas obras de grande complexidade - disse Sheila Ornstein, diretora do museu.
Sheila ainda lembra que o cronograma das obras dependerá de aprovações dos projetos pelos órgãos de preservação, já que o edifício é tombado pelas três esferas de poder.

- Obras de restauro, devido as especificidades dos trabalhos envolvidos, exigem tempos maiores para a realização do que edifícios novos e convencionais - justifica.
A situação atual de museu é resultado de anos de equívocos. Até 1990, o prédio era pintado com tinta sintética, que causa o acúmulo de umidade e água da chuva entre as paredes de tijolos e a argamassa. Durante a construção no século 19, o edifício recebeu proteção externa das fachadas a base de cal, que permite a ventilação das paredes. No trabalho de recuperação que será realizado agora, serão retiradas películas de tinta sintética e limpeza dos fungos existentes.

- Nenhum museu no Brasil é tão simbólico como o Museu do Ipiranga em São Paulo. Foi ali que o Brasil nasceu. Aparentemente vai ficar quase uma década fechado. É um exemplo de descaso com que a cultura e a história são tratadas no Brasil - afirma o escritor Laurentino Gomes, autordo livro "1822", sobre a Independência.


A direção do museu também cita como causas da degradação o longo tempo de utilização e o pouco conhecimento que se tinha no país sobre o sistema construtivo utilizado para erguer o edifício, com elementos mistos de alvenaria de tijolos, madeira e travamentos em cabos metálicos. Também levanta a hipótese de que vizinhança do museu, que na época da construção era uma área rural, passou a receber um grande tráfego de veículos ao longo doséculo 20, o que pode ter acelerado a degradação do prédio.

Erguido na colina em que, em 1822, D. Pedro I proclamou a Independência do país, o museuconta com mais 125 mil itens em seu acervo, entre esculturas, quadros, joias, moedas, medalhas, móveis e documentos. O grande destaque é o quadro "Independência ou Morte", pintado em 1888 por Pedro Américo para glorificar o ato do primeiro imperador do país.

A direção do museu informou que, durante o fechamento, parte do acervo poderá ser visitado noMuseu Republicano, localizado em Itu, no interior de São Paulo, e no solar da Marquesa de Santos, no centro da capital paulista